Cyberpunk 2077 combina uma metrópole dominada por corporações, conflitos sobre identidade e tecnologia, além de diferentes maneiras de encarar suas missões. Para quem quer explorar outros jogos com elementos parecidos, o caminho não precisa passar apenas por cidades cobertas de neon.
Os oito títulos abaixo se aproximam da aventura de V por motivos diferentes: alguns apostam em conspirações e implantes, outros em escolhas difíceis, investigação ou histórias de pessoas tentando sobreviver em uma sociedade opressiva. Não são substitutos idênticos, mas alternativas para continuar explorando esses temas.
1. Deus Ex: Mankind Divided
Para quem procura: conspirações corporativas, implantes e infiltração.
Adam Jensen vive em uma sociedade que trata pessoas com modificações mecânicas como uma ameaça. A história se passa em 2029, dois anos depois de Deus Ex: Human Revolution, e continua os conflitos daquele jogo: o avanço tecnológico não eliminou o preconceito, apenas criou novas formas de segregação e manipulação política.
Entre uma operação em Dubai e investigações em Praga, Jensen precisa lidar com traficantes de armas, grupos clandestinos e interesses que raramente ficam claros à primeira vista. A possibilidade de recorrer à furtividade, à invasão de sistemas ou ao combate aproxima a experiência de quem gostou de variar a abordagem em Cyberpunk 2077.
A conexão vai além dos implantes: os dois jogos questionam quem controla essas tecnologias e quanto poder elas realmente oferecem aos seus usuários.
2. Watch Dogs: Legion
Para quem procura: invasão de sistemas, vigilância e resistência urbana.
Em uma Londres sob controle autoritário, a DedSec precisa reconstruir sua organização depois de ser responsabilizada por atentados cometidos pelo grupo Zero Day. A luta envolve tanto limpar o nome da resistência quanto enfrentar uma cidade tomada por mecanismos de vigilância.
O diferencial está no recrutamento. Em vez de acompanhar um protagonista fixo como V, o jogador pode transformar os habitantes da cidade em personagens controláveis, montando uma equipe para enfrentar as missões. Esse sistema permite escolher quem entra em ação de acordo com a abordagem desejada.
Watch Dogs: Legion não oferece o mesmo foco em interpretação de personagem de Cyberpunk 2077, mas compartilha a combinação de furtividade, tiroteios e interferência em sistemas eletrônicos. É uma alternativa para quem se interessa mais pelo controle tecnológico das cidades do que pelos dilemas pessoais de V.
3. The Witcher 3: Wild Hunt
Para quem procura: missões narrativas e decisões sem respostas fáceis.
Espadas, monstros e feitiços parecem distantes dos implantes de Night City. A ligação, porém, está na maneira como a CD Projekt Red constrói suas histórias. Tanto The Witcher 3: Wild Hunt quanto Cyberpunk 2077 colocam seus protagonistas diante de interesses conflitantes e situações em que uma boa intenção não garante um bom resultado.
Geralt de Rívia procura Ciri, sua filha adotiva, enquanto a Caçada Selvagem tenta capturá-la por causa de seus poderes. A busca cruza disputas políticas, relações pessoais complicadas e problemas que nem sempre podem ser resolvidos com uma espada.
Vale também distinguir a atualização das versões mais antigas: em 14 de dezembro de 2022, o jogo recebeu uma atualização gratuita para PC, PS5 e Xbox Series X|S, com melhorias visuais e técnicas. A edição completa reúne ainda as expansões Hearts of Stone e Blood and Wine.
A recomendação faz sentido para quem quer mais do estilo narrativo da desenvolvedora, mesmo trocando a ficção científica pela fantasia medieval.
4. The Ascent
Para quem procura: uma cidade cyberpunk e combate intenso.
No planeta Veles, uma enorme estrutura urbana depende do Ascent Group. O personagem começa como trabalhador preso às obrigações da corporação, mas o fechamento repentino da empresa transforma a rotina em uma luta pela sobrevivência. Descobrir o que aconteceu passa a ser tão importante quanto escapar do caos.
A câmera isométrica muda bastante a perspectiva em relação a Cyberpunk 2077. Aqui, o foco está em confrontos frequentes, armas e melhorias para o personagem, com bairros densos e desigualdade social compondo o cenário.
Há também uma diferença importante para quem prefere jogar acompanhado: a campanha pode ser concluída sozinho ou em cooperação com até quatro jogadores, tanto localmente quanto pela internet.
The Ascent se encaixa melhor para quem quer manter a ambientação de megacorporações e neon, mas trocar a aventura em primeira pessoa por um RPG de ação centrado nos tiroteios.
5. Cloudpunk
Para quem procura: exploração urbana e histórias sem combate.
Rania começa a trabalhar para uma empresa de entregas clandestinas com duas instruções básicas: cumprir os pedidos e não abrir os pacotes. Sua primeira noite, porém, apresenta serviços cada vez mais suspeitos e revela como a cidade é vulnerável por trás da fachada tecnológica.
Cloudpunk deixa as armas de lado para observar a vida em uma metrópole vertical, marcada por corrupção e hologramas. O interesse está no percurso das entregas, nos encontros e nas situações que colocam a protagonista diante dos problemas daquele lugar.
Para quem gostou de circular por Night City e conhecer seus moradores, essa é uma alternativa com outro ritmo. A tecnologia continua no centro da discussão, mas o papel do jogador é o de uma trabalhadora tentando ganhar a vida, não o de alguém capaz de resolver tudo pela força.
6. Ghostwire: Tokyo
Para quem procura: exploração de uma grande cidade e um protagonista que divide o próprio corpo.
Depois de um acidente, Akito sobrevive graças à intervenção de KK, o espírito de um investigador que passa a ocupar seu corpo. A parceria forçada ganha urgência quando uma névoa sobrenatural atinge Tóquio e faz sua população desaparecer.
Os dois precisam entender a origem do desastre e salvar Mari, irmã de Akito. No lugar das armas e dos implantes de Cyberpunk 2077, o combate usa poderes sobrenaturais, enquanto a exploração coloca o jogador diante de ameaças inspiradas em lendas urbanas.
Ghostwire: Tokyo não é uma distopia corporativa. A aproximação está na experiência de percorrer uma cidade detalhada e na convivência entre duas consciências dentro de um mesmo corpo, embora cada jogo desenvolva essa ideia de maneira diferente.
7. Observer
Para quem procura: investigação, terror psicológico e dúvidas sobre identidade.
O investigador neural Daniel Lazarski recebe uma mensagem de seu filho e chega a um prédio que acaba isolado. Preso ali, precisa investigar um assassinato e encontrar pistas sobre o paradeiro do rapaz.
Nesse futuro, uma praga digital e os conflitos que vieram depois deixaram a sociedade profundamente fragilizada. A investigação permite acessar as mentes dos moradores, inclusive dos mortos, transformando lembranças e medos em sequências de terror psicológico.
Quem estiver escolhendo uma edição deve observar a existência de Observer: System Redux. Essa versão amplia a experiência com melhorias visuais, alterações na furtividade e novas investigações neurais. Daniel Lazarski é interpretado por Rutger Hauer.
Ao contrário do mundo aberto de Cyberpunk 2077, Observer concentra sua história em um espaço mais fechado. A afinidade está na pergunta que atravessa os dois jogos: o que acontece com a identidade quando a mente e o corpo podem ser acessados ou modificados?
8. VA-11 HALL-A
Para quem procura: histórias pessoais em uma sociedade cyberpunk.
Jill Stingray trabalha em um bar de Glitch City, onde recebe clientes com problemas muito mais cotidianos do que salvar o mundo. Contas, solidão e relacionamentos dividem espaço com as consequências de viver em uma sociedade controlada por tecnologia.
O jogador acompanha essas conversas enquanto prepara bebidas. Entender o que cada pessoa quer consumir faz parte da experiência e pode influenciar o rumo dos encontros.
A escala é bem diferente da jornada de V. VA-11 HALL-A observa a distopia a partir de um balcão, dando espaço às pessoas que precisam continuar vivendo mesmo quando o sistema ao redor parece não se importar com elas. É uma opção para quem se interessa pelas histórias humanas por trás do cenário futurista.
Qual combina mais com o que você gostou em Cyberpunk 2077?
Para conspirações e implantes, Deus Ex: Mankind Divided é o caminho mais direto. Watch Dogs: Legion privilegia a resistência urbana e a invasão de sistemas, enquanto The Ascent concentra a ação nos tiroteios. Já The Witcher 3: Wild Hunt mantém o interesse em escolhas difíceis, mas muda completamente a ambientação.
Cloudpunk e VA-11 HALL-A oferecem espaço para acompanhar a vida cotidiana dessas sociedades. Observer leva os conflitos de identidade ao terror, e Ghostwire: Tokyo troca a distopia tecnológica pelo sobrenatural. A escolha depende de qual aspecto de Night City deixou mais vontade de continuar jogando.