Joguei Breath of the Wild com aquela expectativa meio nostálgica de quem cresceu com Ocarina e A Link to the Past, e o jogo não só honra a essência da série como a reinventa. A sensação de descoberta é intensa: subir uma montanha só pra ver o mapa se abrindo lá embaixo é um prazer que lembrava os bons momentos de exploração dos clássicos, só que ampliado ao infinito.
O mundo reage de forma tão orgânica — física, clima, combustão de ervas com flechas — que dá vontade de testar tudo. As shrines são pequenos laboratórios de ideias, e as batalhas contra as Divine Beasts dão escala sem perder a simplicidade do combate. A trilha sonora é contida, mais ambiente do que tema épico, e funciona bem para manter a atmosfera contemplativa; senti falta às vezes daqueles temas marcantes de Zelda, mas a sutileza combinou com a proposta.
As reclamações existem: a durabilidade das armas é frustrante em vários momentos e as vilas ficam meio vazias, o que empobrece um pouco a narrativa humana. Mesmo assim, a liberdade e o cuidado com o mundo me conquistaram — é um jogo que me fez querer voltar só pra explorar cantos que deixei pra depois.