Definir os melhores jogos de The Legend of Zelda está longe de ser uma tarefa simples. Cada aventura da série aposta em uma proposta diferente: há quem prefira a liberdade de Breath of the Wild, enquanto outros valorizam masmorras tradicionais, itens inusitados e portas que exigem algum tempo de raciocínio para serem abertas.
Esta seleção segue um critério um pouco diferente. Mais do que considerar apenas a importância histórica de cada título, o foco está em quais jogos cumprem melhor aquilo que se propõem a fazer. “Perfeito”, neste caso, não significa ausência total de falhas, mas uma experiência tão bem construída que sobra pouco a ser mudado de forma significativa.
7. The Legend of Zelda: Majora's Mask
A maior limitação também é uma das melhores ideias
- O ciclo de três dias mantém Termina em constante movimento.
- As máscaras estão diretamente ligadas à exploração e às missões.
É fácil entender por que Majora's Mask não agrada a todos. O ciclo de três dias coloca um cronômetro sobre toda a aventura, e isso pode tornar a exploração mais tensa do que divertida. Não é raro chegar à metade de uma atividade, olhar para o relógio e perceber que talvez não haja tempo suficiente para concluí-la.
Ao mesmo tempo, a pressão é justamente o que dá identidade ao jogo. A rotina repetida cria em Termina uma sensação de vida que poucos títulos da série conseguem reproduzir. Todos têm compromissos e tarefas antes que a Lua destrua tudo. As máscaras se encaixam naturalmente nessa estrutura e ainda ampliam as possibilidades de movimentação. Pode não ser a melhor porta de entrada para a franquia, mas eliminar essa estranheza tiraria boa parte de seu charme.
6. The Legend of Zelda: The Wind Waker HD
A versão em alta definição corrigiu quase tudo que precisava
- A Vela Veloz resolve o deslocamento lento da versão original.
- A busca pela Triforce ficou muito menos cansativa.
A versão escolhida aqui é The Wind Waker HD, e não o lançamento original para GameCube. A atualização fez mudanças importantes, especialmente na travessia do Grande Mar. A Vela Veloz torna a navegação muito mais prática e reduz bastante o tempo gasto entre uma ilha e outra.
A edição em alta definição também deixou a busca pela Triforce menos repetitiva, uma das partes em que a aventura original parecia perder força antes da reta final. Com esses problemas reduzidos, permanece uma das experiências mais carismáticas da Nintendo. O estilo artístico continua marcante, e navegar pelo Grande Mar pode ser extremamente relaxante quando o deslocamento não se torna demorado demais.
5. The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom
Hyrule virou uma enorme caixa de brinquedos
- Ultramão oferece uma liberdade impressionante.
- Hyrule permite inúmeras soluções criativas.
É difícil não se impressionar com a quantidade de sistemas reunidos em Tears of the Kingdom. Ultramão parece uma mecânica capaz de sustentar um jogo inteiro, mas divide espaço com a combinação de materiais, a exploração das Ilhas Celestes e os perigos escondidos sob Hyrule.
Nem tudo funciona com a mesma eficiência. As interações com os Sábios poderiam ser melhores, e revisitar uma Hyrule bastante familiar faz com que algumas áreas surpreendam menos do que em Breath of the Wild. Ainda assim, poucos jogos oferecem tanta liberdade sem desmoronar sob o peso das próprias ideias. Quando surge uma solução aparentemente absurda, há uma boa chance de o jogo já ter previsto que ela poderia funcionar.
4. The Legend of Zelda: Breath of the Wild
A simplicidade continua sendo uma de suas maiores forças
- O Grande Platô ensina por meio da própria jogabilidade.
- A exploração é conduzida principalmente pela curiosidade.
Comparado a Tears of the Kingdom, Breath of the Wild parece mais contido. Com o passar do tempo, porém, essa simplicidade se revela uma de suas maiores qualidades. O Grande Platô apresenta praticamente tudo o que é necessário e depois deixa o jogador descobrir o restante por conta própria.
A partir daí, a curiosidade assume o controle. Uma estrutura estranha no alto de uma montanha pode levar a uma longa sequência de desvios antes mesmo de ser alcançada. A durabilidade das armas ainda é uma fonte clara de incômodo, mas o jogo entende o impulso de explorar melhor do que quase qualquer outro mundo aberto. A continuação oferece mais ferramentas, enquanto o título original muitas vezes parece mais direto por colocar menos obstáculos entre o jogador e aquilo que chamou sua atenção.
3. The Legend of Zelda: A Link Between Worlds
É difícil tornar o Zelda tradicional mais eficiente do que isso
- O aluguel de itens permite escolher a ordem das masmorras.
- A fusão com paredes transforma constantemente a exploração.
A Link Between Worlds pode ser um dos títulos mais fáceis de deixar de lado, mas isso seria um erro. A aventura aproveita a base conhecida de A Link to the Past e a flexibiliza na medida certa. O aluguel de itens dá mais liberdade para enfrentar as masmorras, enquanto a capacidade de se fundir às paredes muda a forma de observar os cenários sem se tornar cansativa.
Acima de tudo, o jogo raramente desperdiça tempo. A movimentação é rápida, as masmorras não se prolongam além do necessário e quase nunca há a sensação de atravessar uma seção obrigatória apenas para chegar à parte divertida. Existem aventuras maiores e mais ambiciosas na série, mas poucas são tão eficientes em simplesmente entregar diversão.
2. The Legend of Zelda: Ocarina of Time
Quase três décadas depois, ainda há pouco a mudar
- A estrutura em 3D continua funcionando de maneira impressionante.
- Muitos dos problemas atuais são consequência da idade.
Ocarina of Time fez a transição de Zelda em 2D para o 3D de forma extremamente bem-sucedida. A estrutura criada pela Nintendo serviu de base para boa parte do que a série faria nos anos seguintes, sem deixar de oferecer uma aventura coesa por conta própria.
O tempo, naturalmente, expôs algumas limitações. A câmera é restrita, o gerenciamento do inventário pode ser inconveniente e atravessar o Campo de Hyrule já não causa o mesmo impacto de antes. O remake mencionado no texto original promete abordar parte desses pontos, o que torna interessante observar como a aventura será modernizada sem comprometer seus elementos mais queridos.
1. The Legend of Zelda: A Link to the Past
É difícil apontar o que a Nintendo precisaria consertar
- Os Mundos da Luz e das Trevas tornam a exploração recompensadora.
- Há pouquíssimos elementos que realmente precisariam ser alterados.
Se a lista considerasse apenas os jogos mais importantes ou melhores da série, os três primeiros colocados poderiam render uma discussão interminável. Quando o critério é o nível de perfeição, porém, A Link to the Past se destaca. É possível apontar limitações em Ocarina of Time e problemas em Breath of the Wild, mas a lista de mudanças necessárias para este clássico é surpreendentemente curta.
A aventura mantém um ritmo ágil sem parecer apressada, e a divisão entre o Mundo da Luz e o Mundo das Trevas continua tornando a exploração envolvente. A dificuldade sabe quando pressionar sem se transformar em desgaste, enquanto as masmorras raramente prolongam uma ideia além do necessário.
Talvez seja isso que coloque A Link to the Past no topo. O jogo não depende da nostalgia para esconder seus problemas e tampouco precisa de uma longa lista de mudanças antes de continuar merecendo uma nova partida. Depois de décadas reinventando Zelda, a Nintendo ainda não encontrou outra aventura da série com tão pouco que realmente precise ser alterado.