Se você está de olho no Steam Controller, a boa notícia é que a Valve finalmente acertou muito mais do que errou nessa nova versão. Depois de uma primeira tentativa bem esquisita anos atrás, o controle agora chega com visual mais tradicional, ergonomia muito boa e integração direta com o ecossistema da Steam. O resultado é um controle de PC que chega perigosamente perto de ser o pacote ideal — desde que você viva dentro da Steam.
Logo de cara, o que mais chama atenção é o conforto. O formato mais retangular pode causar estranhamento no início, mas, na prática, ele encaixa muito bem nas mãos. O controle é leve para o tamanho que tem, traz plástico preto liso e grips mais retos que ajudam a reduzir a fadiga. Os botões frontais, o direcional e os analógicos lembram bastante os do Steam Deck, só que com um toque mais refinado. Os gatilhos e bumpers também seguem essa linha, com um acionamento suave e sem muita resistência.
O único ponto que pode incomodar no uso é a posição dos botões traseiros. Eles têm boa resposta tátil, mas ficam um pouco abaixo do ideal para quem quer acioná-los sem adaptar demais a pegada. Não chega a estragar a experiência, mas dá para sentir que há um pequeno ajuste fino a ser feito ali.
Na jogatina, o controle funciona muito bem. A sensação geral é de continuidade com o Steam Deck, o que ajuda muito para quem já usa o portátil da Valve. Os analógicos trazem uma resistência agradável, e a grande estrela continua sendo o conjunto de trackpads duplos. Eles são maiores do que os do Steam Deck e seguem servindo como substituto de mouse, algo que faz diferença em jogos que dependem desse tipo de controle. Em títulos como Sol Cesto, por exemplo, a navegação fica bem prática.
Outro recurso novo é o Grip Sense, que permite ativar o giroscópio apertando o controle com mais firmeza. A ideia é interessante, mas na prática ainda parece um recurso instável e meio experimental. Durante os testes, ele não funcionou com consistência suficiente para virar algo realmente confiável no dia a dia.
Quando o assunto é conexão, o Steam Controller brilha dentro da Steam. O pequeno puck que acompanha o controle funciona como adaptador, pareando o acessório ao PC e também servindo como carregador. Depois de pareado, basta apertar o botão central para ligar e conectar direto ao cliente da Steam. Ainda dá para usar o modo Big Picture com dois cliques, o que facilita bastante a navegação.
Mesmo assim, nem tudo é simples. Parear múltiplos controles e lidar com atualizações pode exigir paciência, e o Bluetooth também não é tão prático quanto deveria, já que depende de combinações de botões para conectar e desconectar. Na bateria, a promessa é boa: até 35 horas de uso pesado com trackpads. Isso ajuda bastante na rotina, principalmente porque encaixar o controle no puck para recarregar acaba virando um hábito fácil.
O maior porém do Steam Controller continua sendo a dependência da Steam. Fora do cliente da Valve, ele praticamente vira um mouse e teclado. Isso significa que lojas e launchers como Epic Games Store e Ubisoft Connect não aproveitam o controle como deveriam. Dá para contornar parte disso adicionando jogos não-Steam à biblioteca, mas é um passo extra que pesa na experiência. Em outras palavras: ele é excelente, mas excelente dentro de um ecossistema bem específico.
Por US$ 99, o preço também coloca o controle em uma faixa mais premium. Não é absurdo para o que ele entrega, principalmente por trazer os trackpads hápticos, mas a cobrança fica mais difícil de engolir quando você soma as limitações fora da Steam e a ausência de entrada para fone de ouvido.
No fim das contas, o novo Steam Controller faz mais sentido para quem já vive no universo Steam: quem usa Steam Deck, Steam Link ou pretende entrar no futuro Steam Machine. Para esse público, ele é praticamente uma escolha óbvia. Para quem quer um controle universal de PC, ainda faltam alguns ajustes. Mas dá para dizer sem exagero que a Valve chegou muito perto de criar o controle de PC definitivo.
Baseado em : https://www.polygon.com/steam-controller-2026-review/