Um analista levantou um alerta sobre o futuro do Switch 2: a alta nos preços de componentes de memória pode transformar o console em um espaço dominado apenas por títulos da própria Nintendo, afastando estúdios third-party e reduzindo o catálogo disponível aos jogadores.
O ponto central da preocupação é a escalada nos valores da memória NAND flash — impulsionada pela demanda do setor por hardware voltado à inteligência artificial — que tem pressionado contratos e custos de produção globalmente.
Esse cenário afeta diretamente o Switch 2 por conta do seu armazenamento padrão: o aparelho dispõe de apenas 256 GB de memória interna. Embora seja possível expandir até 2 TB com cartões microSD Express, essa solução tem se tornado praticamente obrigatória, já que jogos modernos podem ocupar fatias substanciais do espaço interno.
Além disso, os cartões microSD também ficaram mais caros desde o lançamento do console. Um exemplo citado foi um modelo de 256 GB compatível com o console sendo vendido por cerca de ¥13.350 (aprox. US$ 85), um aumento aproximado de 30% em relação ao preço inicial — o que tende a desestimular aquisições de software pelos consumidores.
Os números de software refletem esse efeito: com 17,37 milhões de unidades do Switch 2 vendidas, a média é de 2,18 jogos por console. No mesmo estágio de vendas, o Switch original apresentava uma média de 3,88 jogos por aparelho, embora tenha demorado mais para alcançar aquele volume de vendas — o que dava mais tempo aos usuários para ampliar suas bibliotecas.
Para a Nintendo, a situação é sensível: a empresa opera com margens de hardware reduzidas e ainda enfrenta pressões adicionais, como tarifas externas e possível aumento nos custos de transporte em razão de conflitos internacionais. Tudo isso pode afetar decisões de produção e preço.
Na visão do analista consultado, se o Switch 2 ganhar a reputação de plataforma voltada quase que exclusivamente aos próprios lançamentos da Nintendo, há o risco de que estúdios third-party deixem de investir na plataforma — um movimento que poderia desencadear um ciclo de queda no interesse do público.
Desde o lançamento do novo console, as ações da Nintendo chegaram a registrar uma queda aproximada de 30%, mantendo volatilidade recente no mercado.
O que vem pela frente:
Desenvolvedoras e consumidores estarão de olho no comportamento dos preços de memória e nos custos de expansão de armazenamento. Se os microSD continuarem caros, o Switch 2 pode mesmo ver seu catálogo terceirizado encolher — com impacto direto na percepção do console e nas vendas de jogos.