Evo anuncia expansão global: a organização responsável pelo maior circuito de jogos de luta revelou que criará cinco novos eventos regionais em China, Brasil, Marrocos, Arábia Saudita e México, além de um novo Campeonato Mundial com formato multi-jogo e um compromisso declarado de apoio às comunidades locais.
Segundo o comunicado oficial, a ampliação visa construir eventos sustentáveis que destaquem as diversidades regionais e garantam que competições de luta continuem acessíveis para futuras gerações. A implantação em larga escala está prevista para começar em 2027.
O novo Campeonato Mundial terá uma exigência curiosa: os competidores deverão demonstrar habilidade em múltiplos jogos de luta, uma abordagem que remete à cultura dos salões de arcade, quando jogadores transitavam entre títulos diferentes. Isso contrasta com a tendência recente de especialização em um jogo só.
Além dos torneios, a organização promete trabalhar diretamente com as cenas locais para fomentar crescimento e oportunidades — algo apresentado como parte do plano para evitar que a marca simplesmente substitua iniciativas comunitárias já existentes.
Quem passa a controlar a marca é a Qiddiya Investment Company (QIC), grupo integralmente ligado ao Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita. Esse vínculo levantou críticas: organizações de direitos humanos já apontaram problemas relacionados ao país, e há quem veja nessa aquisição uma estratégia de apresentação positiva em escala global.
Do lado positivo, a expansão cria empregos e mais chances para profissionais do setor, além de levar eventos a regiões historicamente mal atendidas no circuito competitivo — como partes da América do Sul, África e Norte da África/MENA. Países como Brasil e China também fazem sentido do ponto de vista de mercado, com bases de jogadores em crescimento.
Por outro lado, há riscos reais. Multiplicar eventos Evo — passando de um punhado para nove edições anuais, somadas ao tal Campeonato Mundial — pode diluir o prestígio do evento central e pressionar financeiramente eventos independentes e majors locais. Exemplos recentes, como impactos observados na cena francesa, mostram como uma grande marca pode afetar o calendário e a sustentabilidade de competições já estabelecidas.
Outra preocupação é o potencial uso desses torneios para fins de imagem por parte do novo proprietário. Dado que muitos majors de luta operam com margens estreitas, os ganhos diretos não explicam por si só essa expansão agressiva, o que intensifica o debate ético entre fãs e profissionais.
O que importa para jogadores e comunidades: se a organização cumprir a promessa de cooperação local e investimento real nas cenas regionais, a expansão pode ampliar oportunidades e visibilidade. Se for conduzida de forma centralizada e impulsionada por interesses geopolíticos, pode esvaziar espaços comunitários e priorizar imagem sobre necessidades locais.
Em resumo: a Evo está se transformando rapidamente, trazendo potencial de crescimento e emprego, mas também abrindo um debate legítimo sobre identidade da marca, sustentabilidade do ecossistema competitivo e responsabilidades dos novos proprietários.
Baseado em: https://www.eurogamer.net/evo-is-getting-five-more-regional-events-and-a-new-world-championship-heres-whats-good-whats-bad-and-what-matters